quinta-feira, 22 de maio de 2014

Imagina na eleição (Dora Kramer)


O cenário não é desejável, mas nem de longe pode ser deixado de lado. A hipótese de que a atmosfera de violência venha a contaminar o ambiente durante o auge das campanhas eleitorais país afora está no horizonte. E bem próximo. 

É evidente que o clima de furor urbano extrapola a insatisfação com os gastos da Copa do Mundo. Não é crível que os saques, as greves de policiais, as depredações, os linchamentos, os incêndios, a ultrapassagem de todos os limites, o desrespeito generalizado tenha relação exclusiva com o Mundial de futebol. O ódio está no ar. E não vai passar. Durante o mês de campeonato, asseguram as autoridades, a balbúrdia cotidiana será contida mediante a ocupação de território pelas forças de segurança. E deve ser isso mesmo. Forçosamente alguma paz de fato estará garantida. 

Pois bem, e depois? Depois as campanhas eleitorais estarão efetiva e legalmente nas ruas, mas nada autoriza a crença de que a calma reinará. Não que a pasmaceira dos últimos tempos pré-junho de 2013 seja o ideal. Aquela indiferença, aquela apatia diante de determinadas barbaridades realmente uma hora tinha de acabar. Nota-se nitidamente neste ano eleitoral um interesse muito maior pela política. Em toda parte as pessoas comentam o assunto, até para desqualificá-lo. Essa parte, o debate é extremamente salutar. 

O problema é o ambiente de intolerância geral, com tendência à delinquência. Se, como se alega, a Copa foi uma oportunidade para as cobranças virem à tona e degenerarem para situações de completo caos, não parece que seja um exercício de pessimismo à deriva supor com grande chance de acerto que a proximidade das eleições seja vista da mesma forma. 

Com agravantes: oportunismo de corporações irresponsáveis, conflitos entre militantes partidários cuja virulência na internet é algo assustador, incitação de grupos políticos interessados em criar dificuldades para adversários que estejam no poder (federal, estaduais ou municipais) ou em imputar-lhes falsas acusações. O terreno é fértil para exageros inadmissíveis. 

Caso as altas autoridades ainda não tenham se dado conta, quem está na labuta do dia a dia trabalhando direto com isso percebe perfeitamente bem do que se trata. Na terça-feira, durante a greve-surpresa de ônibus – muito bem qualificada pelo prefeito Fernando Haddad como “sabotagem” (é esse o nome) – uma senhora perguntou a um policial o que estava acontecendo. Resposta: “Protesto, o que vai acontecer até o dia 5 de outubro”. 

Se houver protesto, manifestações, reclamos, cobranças, tanto melhor. É do jogo. Anarquia, destruição, selvageria, devastação são outras de natureza muito diferente. Portanto, péssimo. Ainda mais que estaremos vivendo um dos momentos (não o único) mais nobres da democracia: a escolha dos governantes. Por democracia entenda-se regime de legitimidade das leis, o que é autoexplicativo em termos de potencial de prejuízo para o próprio processo, em caso de descontrole. 

Tanto o poder público constituído quanto os candidatos de oposição a ele – em todos os níveis – têm uma responsabilidade que ainda não se vê expressa nas agendas dos que disputarão as eleições. Fácil, a tarefa não é. 

Fazer o quê, reprimir? Ninguém quer. É complicado até mesmo defender a tese, dado que além de todos desejarem o voto dos manifestantes, os brutos também votam. 

Dose tripla 

Em fevereiro de 2012, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, perguntou ao ministro inglês que coordenava os trabalhos da Olimpíada de Londres quais eram as três preocupações que ele deveria ter em relação aos jogos de 2016, no Rio. “COI, COI, COI”, respondeu o colega, referindo-se ao Comitê Olímpico Internacional, a Fifa da Olimpíada. 

Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?id=1470570&tit=Imagina-na-eleicao 

Acesso em 22/05/2014 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Suíços rejeitam salário mínimo mais alto do mundo




People hold up their voting cards during the annual Landsgemeinde meeting in Glarus






Publicado no Brasil Post
Os eleitores suíços rejeitaram esmagadoramente uma iniciativa que teria introduzido o maior salário mínimo do mundo. Cerca de 77% se opuseram, neste domingo, à iniciativa do Salário Mínimo, de acordo com os primeiros resultados de 26 cantões do país, informou a televisão suíça.
A legislação teria estabelecido um salário mínimo por hora de 22 francos suíços (US$ 25, ou 55 reais) por hora. No Brasil, o salário mínimo é de R$ 3,29 a hora, ou R$ 724 por mês.
Debate

Apoiadores do salário mínimo suíço citam o custo exorbitante de vida no país mais caro do mundo, principalmente em cidades grandes como Zurique e Genebra.
Os sindicatos estavam indignados porque a Suíça, um dos países mais ricos do mundo, não tem um salário mínimo determinado enquanto os vizinhos França e Alemanha têm – o salário mínimo na Alemanha será de 8,5 euros a hora a partir de 2017. Eles dizem que é impossível sobreviver com menos de 4.000 francos por mês por causa dos altos custos dos planos de saúde e da alimentação, segundo a BBC.
No entanto, autoridades do governo e corporações dizem que a proposta vai aumentar a taxa de desemprego no país, que é baixa: apenas 3,2%. Donos de pequenas empresas, principalmente fazendeiros, estavam preocupados que o salário mínimo poderia prejudicar a venda de seus produtos no mercado. A maioria dos suíços que recebem salários baixos trabalham no setor de serviços, em hotéis e restaurantes, e a maioria deles são mulheres.
A posição do eleitorado suíço mostra um distanciamento da tendência às leis trabalhistas de compensação. No ano passado , os eleitores apoiaram uma proposta dando a acionistas de companhias de capital aberto maior poder sobre os salários dos executivos. Uma votação subsequente, que objetivava limitar os salários de executivos mais bem pagos a 12 vezes o valor salarial mais baixo das empresas, foi rejeitada.

Educação e Neoliberalismo: a transformação dos indivíduos em mercadoria.



Por Michel Aires de Souza
micA educação perdeu sua função de produzir indivíduos autônomos, críticos e conscientes, que pudessem transformar a sociedade, a cultura e a si mesmos.   A escola de hoje procura acomodar os indivíduos ao mundo existente e não produz mais o espírito crítico, que dúvida, investiga, cria e produz.   Com o neoliberalismo a educação tornou-se um instrumento para se produzir mercadorias. As novas exigências no mundo do trabalho demandam um indivíduo que invista nele mesmo, que seja polivalente, multifuncional, flexível, competente. Desse ponto de vista, o indivíduo surge para a educação como um ser genérico, um ser anônimo que só pode ser construído como objeto, ou seja, como mercadoria.
        Com o fim do Estado de bem-estar social (Walfare States) e o desenvolvimento do Estado Neoliberal, grosso modo, diminui-se o papel do Estado na economia e reduziram-se o investimento e alcance das políticas públicas. A partir daí o trabalhador foi abandonado ao mercado, se viu inserido em um novo mundo globalizado. Nessas condições teve que encarar sozinho o desemprego, o subemprego, a exigência de muitas qualificações e a grande concorrência do mercado de trabalho. Ele passou a depender de si para se qualificar, adquirir competências, adquirir conhecimento e conhecer as novas tecnologias da informação.  Hoje, na maioria dos países, tornou-se difícil manter-se empregado num ambiente em permanente transformação. A crise na Europa demonstra isso. Há países onde a taxa de desemprego é de 25% da população ativa.  Com o Estado mínimo os indivíduos foram abandonados a sua própria sorte. A responsabilidade pelo “ganha pão” e pela qualificação profissional não é mais responsabilidade do Estado.  Hoje o mundo globalizado espera que os indivíduos se virem sozinho, sem as antigas proteções sociais. Isso significa que todos devem se esforçar e adquirir múltiplas competências e habilidade para não ficarem desempregados.
             A educação, por sua vez, que sempre foi entendida como instrumento de humanização, tornou-se em nossa época um instrumento de reificação.   Os conhecimentos e os bens culturais transformaram-se em mercadorias do desejo, transcendem o mundo dos fatos, ganhando significados de tal forma que não consumimos mais saber, mas consumimos signos de prestígio.  A cultura produzida e disseminada pela educação são mercadorias que agregam valor à subjetividade dos indivíduos.  A formação educacional torna-se atraente na medida em que cria símbolos de poder, status e pertencimento. Os indivíduos buscam conhecimentos para se venderem como objetos no mercado de trabalho. Eles buscam ser significantes, vendem sua imagem e procuram se tornar atrativos como mercadorias.
         No mundo neoliberal os conhecimentos aprendidos nos estabelecimentos de ensino tornam-se bens simbólicos. Buscar novas qualidades e competências, agregar valor à profissão, falar inglês, francês, fazer várias faculdades, adquirir títulos, conhecer arte e informática são o apanágio de um mundo que mercantilizou o indivíduo.Nesta sociedade os indivíduos devem obter cursos ou serviços para que se tornem cada vez melhores como mercadorias. Eles devem se equipar com um ou outro produto fornecido pelo mercado se quiserem ter a capacidade de alcançar e manter seu trabalho ou posição social. Para Bauman (2008) o ser humano rejeita sua própria incompletude e procura superar essa solidão de ser invisível num mar de mercadorias. “Os membros da sociedade de consumidores são eles próprios mercadorias de consumo, e é a qualidade de ser uma mercadoria de consumo que os torna membros autênticos dessa sociedade” (BAUMAN, 2008, p.76).
       A moda, as roupas, os produtos cosméticos, os produtos de beleza, os produtos de consumo, de modo geral, também agregam valor à autoimagem. Somos aquilo que consumimos.  Cada um busca no mercado os produtos que melhor se adaptam à sua personalidade. Zygmunt Bauman em seu livro “Vida para o Consumo” (Consuming Life) mostra-nos que, “na sociedade do consumo, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria, e ninguém pode manter segura sua subjetividade sem reanimar, ressuscitar e recarregar de maneira perpétua as capacidades esperadas e exigidas de uma mercadoria vendável” (BAUMAN, 2008, p. 20).
            A ditadura da beleza, o culto ao corpo belo e saudável, as plásticas, a moda, as propagandas que incentivam a autossuperação, o esforço, o autosacrifício são signos que refletem as novas condições materiais de existência do mundo neoliberal. O indivíduo deve se adaptar a essa nova realidade onde tudo é moda e é consumido como moda, inclusive os indivíduos. Lipovetskky denominou-o de mundo do efêmero, o reino da frivolidade, das novidades e da fantasia.
          Com o neoliberalismo a busca desenfreada pelo dinheiro, a competição, o consumo compulsivo, a busca de reconhecimento simbólico, a labuta do dia-a-dia não permitem ao homem determinar sua própria vida como projeto, como determinação consciente.  Vivemos no mundo do “curto-prazo”, não há mais “longo-prazo”.  Segundo Sennet (2009) o capitalismo afetaria o caráter pessoal dos indivíduos, uma vez que não oferece condições para a construção de uma narrativa linear da vida sustentada na experiência. Para o trabalhador, no mundo globalizado, as relações de trabalho e os laços de afinidade não se processariam em longo prazo,  mas a curto prazo. Por estas razões as relações humanas se tornaram efêmeras e reificadas.
         Com o advento do neoliberalismo os homens se tornaram  seres genéricos, anônimos e só podem se constituir como sujeito na medida em que se tornem mercadorias.  O que se tornou relevante em nossa época é a luta simbólica por reconhecimento social. Hoje o status social está mais ligado à ocupação, depende do esforço de cada um.  Os indivíduos devem adquirir conhecimentos, saberes, competências, habilidades e um conjunto de referenciais culturais, teóricos e linguísticos para fins de diferenciação simbólica, tornando-se sujeitos reconhecidos pelo mercado.  Vivemos numa sociedade que valoriza o desempenho, o esforço pessoal, o sacrifício e a labuta. A vontade de vencer, a ambição tornaram-se características de um mundo que reificou e mercantilizou o indivíduo.  A liberdade e a autonomia tornam-se ficções da consciência naturalizada pelas formas de domínio social prevalecentes. A existência surge como consequência de relações de força, de poder, surge determinada pela a mão invisível do mercado e das instituições.
       Como podemos notar, a mercantilização do indivíduo pela educação é uma característica do mundo neoliberal e somente surgiu impulsionada pelas novas exigências do mercado de trabalho. Ela não existiu em períodos anteriores, porque nunca se valorizou tanto a subjetividade no mercado de trabalho como hoje.   Com o advento das novas tecnologias e da informação, os indivíduos tiveram que agregar novos conhecimentos a sua formação. Eles foram obrigados a educar a si mesmos.  Com a maior complexidade dos processos de trabalho, os indivíduos tiveram que se tornarem mais criativos, inteligentes e críticos. Eles adquiriram conhecimentos, competências e habilidades diversificadas.
            Nunca na história da civilização a educação compreendeu o indivíduo como uma mercadoria, muito pelo contrário, a educação sempre fora um meio para desenvolver o livre pensamento, a autonomia e o espírito crítico.    Com a institucionalização do ensino no inicio do século XIX, a educação tornou-se obrigatória e sancionada por leis, tendo por objetivo consolidar a sociedade democrática burguesa. O grande objetivo era universalizar o ensino e  fomentar  o esclarecimento, superando a ignorância e a opressão do Antigo Regime.  A educação estava voltada à transmissão dos conhecimentos adquiridos pela humanidade e  deveria aperfeiçoar o ser humano em toda a sua plenitude. É o que se denominou de pedagogia tradicional.  A escola tinha por objetivo possibilitar a cada um aperfeiçoar sua indústria, ter consciência de seus direitos e deveres, assegurar seu bem-estar e poder participar ativamente da sociedade.
          No Brasil o ensino tradicional foi característico da época da monarquia constitucional e da velha Republica oligárquica. A educação era fortemente influenciada pelos valores positivistas. O currículo valorizava o estudos das ciências, tal como  classificara August Comte. O ensino  era um privilégio de poucos.  Os filhos de fazendeiros e dos comerciantes urbanos foram os mais privilegiados. A elite via na educação um modo de ascensão social. O grande objetivo da escola neste momento histórico era preencher os quadros da política e da administração pública.
       Já na segunda metade do século XX o Brasil começou um período de grande industrialização e urbanização e de grandes mudanças sociais, onde a burguesia comercial e industrial começou a ter enorme influência no poder. O que essa burguesia almejava era criar mão de obra especializada para as grandes indústrias. Esse desejo se concretizou efetivamente durante o período militar (1964-1985). O Estado começo a valorizar uma formação profissionalizante e tecnicista.  Buscava-se adequar a educação as mudanças dos últimos anos, que tornaram o país mais industrial e tecnológico. A educação visava criar indivíduos qualificados para o trabalho. Nessa época o espírito reflexivo, autônomo e crítico foi  banido das escolas. A educação passou a valorizar o behaviorismo, uma vez que o ensino deveria ser um instrumento de condicionamento buscando reforçar o estímulo-resposta, adaptando os indivíduos aos novos processos de trabalho.
        Como podemos notar a educação nunca foi um instrumento de mercantilização, foi somente na década de 90,  que começou a se valorizar a subjetividade do trabalhador, a partir disso,  os indivíduos se tornaram as peças centrais no mercado de trabalho.  Com as novas tecnologias, com as exigências de maior inteligência e criatividade no ambiente de trabalho, os trabalhadores começaram a ser importantes e essenciais para maior competitividade das empresas. A partir disso, a educação tornou-se um instrumento de diferenciação simbólica. A busca pela formação de qualidade tornou-se essencial para os indivíduos conseguirem um lugar de destaque no mercado de trabalho.
        Como podemos notar o neoliberalismo tornou a educação um instrumento de produção de mercadorias. O que as instituições de ensino valorizam e tornam sua ideologia é a competição, o mérito e o esforço individual.  O que experimentamos hoje é a comoditização dos indivíduos. Cada um deve procurar ser melhor como pode.  Cada um deve buscar na educação as competências e qualificações necessárias para se inserir no mercado de trabalho. As diferenças entre os indivíduos são determinadas pela posição que ocupam. Hoje existe uma luta acirrada pela ocupação social. Algumas funções conferem prestígio, dinheiro, fama, glória e poder. Isso significa que cada um deve adquirir por meio da educação as competências, comportamentos,  recursos, valores que são necessários a determinada posição social. Os indivíduos se esforçam para serem competentes, e somente a educação pode fornecer os recursos necessários para isso.
         Como consequência do neoliberalismo, a educação perdeu sua função primordial, que era educar para a autonomia intelectual, para o esclarecimento e para a participação política. O indivíduo perdeu a capacidade de reflexão e julgamento da realidade, perdeu a capacidade de avaliar e interpretar sua existência e viver de forma autônoma. O “projeto da Modernidade” identificado por Jurgen Habermas como um conjunto de tendências defendidas pelos pensadores iluministas  pregava a crença no desenvolvimento da ciência, a moralidade na condução da vida, o universalismo da razão, a busca de novas formas de organização social e a autonomia da arte. O objetivo era usar o progresso e o acúmulo de conhecimentos da humanidade de forma livre, criativa e autônoma  para a emancipação e para  enriquecimento dos seres humanos. A ideia de uma educação  emancipatória e humanista deveria retomar esse projeto.
       A experiência tem demonstrado que os países que conseguiram resolver as desigualdades educacionais também conseguiram resolver as desigualdades socias e tornaram-se mais democráticos. A educação produz autonomia de pensamento e, em conseqüência disso, produz a opinião, o livre julgamento e a participação política, que são os fundamentos da democracia.  Na sociedade democrática supõe-se como John Locke que a consciência individual é a sede final do julgamento e, portanto, o último tribunal de apelação. A educação reforça essa consciência e o livre pensamento. O indivíduo abandona sua minoridade e torna-se capaz de fazer uso do seu entendimento sem a direção de outrem.  É só por meio da informação e aprendizagem que surge o esclarecimento e este só se efetiva se o indivíduo tiver a liberdade de fazer uso público de sua razão. Esse deve ser objetivo da educação.
  Bibliografia
  BAUMAN, Zygmunt, Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de janeiro: Zahar, 2008.
 LIPOVETSKY, Guilles. O Império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
 SENNET, Richard. A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 2009.

sábado, 17 de maio de 2014

Humano, Demasiado Humano


Descoberto planeta de diamante na constelação de Câncer





Cientistas da Universidade Yale, nos EUA, descobriram na constelação de Câncer, a aproximadamente de 40 anos-luz da Terra, um planeta cuja superfície é composta de grafite e de diamante. Foi chamado de planeta 55 Cancri. É popularmente chamado de planeta de diamante.


Segundo os cientistas, pelo menos um terço da massa desse planeta, que é duas vezes maior e oito vezes mais denso que a Terra, é de diamante, quantidade equivalente a três vezes a massa do nosso planeta.


Porque 55 Cancri está proporcionalmente bem mais próximo de seu sol do que a Terra do Sol, esse planeta tem um órbita planetária de apenas 18 horas, bem curta se comparado aos 365 dias da orbita da Terra. Ao todo, o sistema estelar de 55 Cancri tem cinco planetas.


Os cientistas acreditam que a camada de diamante do 55 Cancri formou-se porque, durante a formação desse planeta, havia muito mais carbono disponível – que é a base do diamante – do que oxigênio, além de uma quantidade significativa de água em forma de gelo.


A temperatura média na superfície do planeta é de aproximadamente 2.000º C e, por isso, não é possível a existência de água e de qualquer forma de vida como a humana em 55 Cancri.


Diante disso, devemos valorizar e cuidar de nossas águas e do nosso oxigênio muito mais que de diamantes, pois é isso que permite vida em nosso planeta.

terça-feira, 13 de maio de 2014

O que é o Casamento?

Muitos casais de namorados já tiveram suas vidas mudadas pelo relacionamento que possuem juntos. Maturidade nas relações sociais, novos projetos pessoais e foco na vida profissional. Isso significa que o relacionamento está ficando sério e que talvez seja hora de dar um passo a mais: o Casamento.


Mas será que o casamento é algo fácil de ser conduzido? A resposta é não. Quando duas pessoas diferentes (talvez extremamente opostas) decidem viver juntas e dividir uma vida inteira, algo estranho acontece na vida desses aventureiros do amor. É um fenômeno chamado Alteridade! Alteridade é ser capaz de apreender  o outro na plenitude de sua dignidade, dos seus direitos e de sua diferença. Alteridade é respeito ao outro pelo que ele é de verdade. Todo casamento maduro precisa de alteridade e maturidade emocional.

A nossa tendência é colonizar o outro, ou seja, torná-lo minha propriedade. Temos uma vontade imensa de influenciar as decisões do outro e de torná-lo nossa imagem e semelhança. Isso mata qualquer relacionamento.

Casar exige que respeitemos o diferença que o outro possui em relação a nós mesmos. Todos somos um universo de possibilidades. A minha vida e as minhas experiências podem ser partilhadas com os outros mas jamais impostas ao outro como sendo a vida ideal.

A história de cada um precisa ser respeitada. Casamento é respeito, é dedicação e é aceitação do outro como ele é. Ninguém casa por ódio, mas sim por amor. Então o casamento é um troca entre duas pessoas que se amam.

Se você for capaz de aceitar as pessoas como elas são, então você pode se casar e ser feliz!

Pense nisso!
Sucesso sempre!

Yuri
Consultor Matrimonial

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Carta do imperador Vespasiano a seu filho Tito

Essa é a carta do imperador Vespasiano a seu filho Tito, datada de 22 de junho do ano 79 depois de Cristo – ou seja, há 1935 anos. Os termos em latim foram traduzidos entre parênteses.


pao e circo


“Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas. De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pare a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória.
Alguns senadores o criticam, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis (nádegas): numa privada, num banco de escola ou num estádio? Num estádio, é claro.
Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma por omnia saecula saeculorum (um século de séculos), e sempre que o olharem dirão: ‘Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou’.
Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão.
Moralistas e loucos dirão que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas. Vel caeco appareat (Até um cego vê isso). Portanto deves construir esse estádio em Roma.
Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: `Ad captandum vulgus, panem et circenses´ (Para seduzir o povo: pão e circo).
Esperarei por ti ao lado de Júpiter.”

colie

Vespasiano morreu no dia seguinte à carta. Tito inaugurou o Coliseu, com 100 dias de festa. Tanto o pai quanto o filho foram deificados pelo senado romano.


estadio


Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência.