quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Aprenda a Fazer Falta



De vez em quando o único remédio é sair de cena para o show continuar. Aprender a ser ausência quando tudo já foi dito, cobrado, explicado. Deixar de ser insistência para ser abstinência. 

Controlar os próprios impulsos pode parecer simples, mas é uma das coisas mais difíceis de se conseguir. Tantas oportunidades de ser feliz a acontecerem lá fora e a gente teimando em se fixar na pessoa que foi embora. 

É preciso entender que enquanto nós insistimos em verificar os horários em que o outro “visualizou por último” a mensagem que lhe enviamos, muita vida está acontecendo e sendo deixada para trás. 

É claro que no início vai ser mais difícil – não é de uma hora para a outra que o coração entende as mudanças de planos – mas aos poucos, bem aos poucos, a gente aprende a fazer falta. 

Desaparece do mapa de quem sabe onde te encontrar e até ao momento não se importou; de quem teve todos os teus sorrisos e nunca os valorizou. Sai de cena de quem tu ouviste inúmeros “nãos”; de quem nunca acreditou em ti, de quem pouco se relacionou e muito se cansou. Desaparece do mapa de quem vive com dúvidas e nunca te teve como certeza; de quem não aprendeu a remar junto e a agir com gentileza. 

Aprende a fazer falta para quem já se habituou à tua presença e desaprendeu a sorrir quando tu te aproximas. Para quem se esqueceu como é boa a tua companhia e prefere se refugiar numa vida fria. 

Fazer falta é segurar o impulso de procurar, vasculhar, perguntar. É travar a vontade de entender o que não dá mais para explicar ou de justificar o que não merece perdão. Fazer falta é não ligar, não mandar mensagens. É sair para se distrair com os amigos, dar uma corrida no parque, respirar fundo e encontrar sentido na solidão. É relaxar para o pensamento acalmar, é desistir de parecer bem quando não se está bem, é cortar o cabelo para renovar o espírito, é ficar longe do telefone enquanto se toma uma bebida e se aprecia a beleza do mar. É, acima de tudo, agir com esquecimento para quem sempre pareceu esquecer-se de ti. 

Quando sumimos, nós descobrimos se realmente fazemos falta. Quando sumimos, nós descobrimos o quanto a nossa presença é importante ou não. Sumir é uma estratégia arriscada, eu sei. Mas também define muita coisa mal resolvida. Também traz as respostas que buscamos e nem sempre encontramos. 

Texto de Fabíola Simões

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Hoje ser


Hoje, não ontem e nem amanhã. É hoje o dia de ser de verdade!

Não ser como os outros querem; não ser de mentira; não ser de fachada... Todo mundo quer ser e sendo quer aparecer. Aparecer pra quem se ama, pra que se deseja e pra quem não se quer mais. Quem foi não deixou de ser, mas apenas mudou seu status na rede social. Antes era importante e agora é pensamento. Não que os pensamentos não sejam importantes, mas que são incompreendidos, ah isso são!

Todo pensamento já foi um ato ou um desejo de agir. Sonhos não limitam a vida, mas ampliam o desejo de se tornar humano. Então... é hoje o dia de ser!
Eu apenas queria ser invisível um dia só. Só pra fingir que não sou e não ser pra ninguém. Talvez assim eu me caiba no mundo que criei apenas pra mim. Um mundo onde sorrimos todos juntos e nos abraçamos toda vez que queremos, sem olhar para os lados, sem ter medo do não de apego.

Voar, quem sabe. Voar parece ser bom, mas dá medo. Como é silente o céu. Ele não fala nada, só olha. O céu nos olha o tempo todo e nos conhece como somos. O céu está em todo lugar; até dentro de um copo d´água. Lá dentro tem anjos em forma de H e demônios em O duplo. Cada um tem seus anjos e seus demônios... Por isso muita gente não bebe água: porque tem medo de céu.

Quero mais um abraço seu. Só um. Um abraço de calor gostoso e beijo sempre doce. Mas ainda tenho medo do céu que está em você. Do céu que está em mim, eu tenho medo! Mas saberei ser eu. Só hoje. Porque hoje é o dia de ser de verdade. Conto comigo, meu eu, pra ser o que quiser, mesmo que doa...


Yuri Cruz