Acordem a Lua, para que ela possa ver meu brilho refletido em sua superfície.
Chamem o Sol e deixem que ele me toque. Seu fogo jamais será igual ao meu. Tenho emanado o calor intenso da minha alma em todas as direções e recebido de volta, como um presente, a verdadeira visão das coisas.
Tenho visto olhos fechados de dor, abertos de medo, fechados de amor ou abertos em segredo.
Não tentem me segurar! Imaginem um terremoto aprisionado! Estrago é pouco pra tanta energia dissipada...
Chega um tempo que a gente começa a ver as coisas com mais clareza. Talvez seja porque o nosso brilho aumenta e passamos a não caminhar mais na escuridão. Iluminados o nosso caminho com uma luz própria e nova.
Entretanto, também começamos a percebemos que o brilho daqueles que nos cercam também ilumina nosso caminho... Não estamos sozinhos. Sozinho podemos até caminhar, mas a viagem é muito sem graça quando só tem selfies solitárias.
O amor já passou por mim. Veio, ficou, semeou, disse de pessoas e de coisas. Fiz inúmeras canções de amor, mas não foram suficientes para que ele ficasse para sempre.
Pra alguns, amor é um invenção. Apaixonamo-nos pela representação do ser amado, que nem é tão bonito, nem tão cheiroso, nem tão amável, nem tão próximo, nem tão verdadeiro...
Os pensamentos sobre o amor muitas vezes são mais verdadeiros que o próprio amor em movimento real. Mas quem disse que tem que ser assim? Quem disse que o amor precisa ser real, de carne, de pele? Ele pode ser de alma. Ele pode ser de arco-iris no horizonte ou de borboletas no estômago...
Mas que ter um abraço é melhor do que ter uma lembrança... disso não tenho dúvidas.
Yuri Cruz
