sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Virtude e Felicidade


Recentemente, ouvi de meu chefe que ele escolheu ter razão e não ser feliz. Disse que se tivesse escolhido ser feliz, teria conquistado uma vida mais tranquila e uma carreira mais sólida em sua empresa. Porém, o conceito de felicidade que ele propôs é justamente o inverso do que imaginamos usualmente. Segundo ele, ser feliz é se anular no ambiente de trabalho e jamais manifestar suas ideias e opiniões pessoais. Isso é realmente ser feliz?

Muitas pessoas acreditam que ser feliz é se anular, perder sua identidade e navegar no oceano do vazio e do arrependimento. Não considero que isso seja felicidade.

Mas antes de pensar se somos felizes, poderemos nos perguntar: mas o que é felicidade afinal??

Felicidade, a meu ver, revela-se através da paz que manifestamos aos outros e que sentimos em nós. Não se pode ser feliz onde não há paz. A paz é um fruto da felicidade e ao mesmo tempo seu pré-requisito.

Nossas vidas são feitas de escolhas. Escolhemos o que vestir, como andar, o que comer e para onde ir. Será que escolhemos como ter paz? Escolhemos optar pela felicidade?

Para ser feliz é importante jamais deixar de pensar nas consequências de nossos atos. Antes de tomar uma decisão, precisamos pensar nos frutos e resultados dessa decisão. Tudo o que fazemos produzirá um resultado e uma conexão eterna com o infinito ao nosso redor. Se somos egoístas, lançaremos no cosmos uma onda de egoísmo, que afetará primeiro as pessoas ao nosso redor. Logo depois, essa onda magnética atingirá pessoas distantes e que você nem imaginava que pudessem ser atingidas. Nossas ações emanam movimentos, produz força e essas forças serão confrontadas por outras contrárias. Tudo está ligado no mundo.

Quando você escolhe ser feliz, as coisas que você produz serão guiadas a esse objetivo. Seus pensamentos serão tomados de energia positiva e sua vida mudará. Mas isso é um movimento pessoal e intransferível. cada um é responsável pelas escolhas que faz e pelos resultados delas.

Ser feliz é muito mais do que possuir. É muito mais do que conquistar. É muito mais que ganhar ou perder. A felicidade humana está escondida no secreto mistério da vida. Não existimos para sermos infelizes. Nossa essência é a felicidade. Então porquê optar pela derrota, pela tristeza e pelos problemas.

Nós criamos nossos próprios problemas através do caminho que escolhemos trilhar.

Escolha o caminho da paz, da verdade, da sinceridade, da justiça, da virtude e do amor. 

Para Sócrates, as pessoas deveriam concentrar os seus esforços em serem virtuosos, para si mesmos, para seus amigos e para a comunidade a que pertencem pois a virtude deve ser conquistada também pelo grupo humano, pela pólis. Assim, encontrará o homem a felicidade que tanto busca. O homem para ser virtuoso não precisa, segundo Sócrates, renunciar aos prazeres, pois a virtude deve levar o homem a uma vida perfeita e não à negação da vida. Contudo, sabemos que quando mudamos nosso interior, o nosso exterior também se altera. Se alteramos nosso código valorativo, o mundo passa a ter um novo sentido e vivemos de uma maneira virtuosa e livre das impurezas sociais. Nossos hábitos se transformam, nossos interesses se aprimoram e até mesmo escolhemos melhor as pessoas com quem nos relacionamos.

Ser feliz, portanto, é coletivo existencial. Todos desejamos a felicidade, mas nem todos sabem como alcançá-la. Escolha o simples. Eleve seus pensamentos. Caminhe com pessoas de bem. Tenha uma rotina salutar. Ore. Converse com Deus. 

Para ser feliz, precisamos escolher. Porém, a felicidade segue o caminho interno e alcança o externo e não o contrário. Não o contrário!

Yuri Cruz




quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Desapegue-se de quem você pensa que é

Vivemos num mundo que é um turbilhão de pensamentos, medos, expectativas e orações. Às vezes parece que somos barquinhos tentando navegar em meio ao tufão da vida. Tudo parece massacrante e vasto demais. Sentimo-nos impotentes e menos poderosos a cada dia, e seguimos adiante como uma luzinha que tenta brilhar na consciência de um buraco negro.
Todas as manhãs nós despertamos para um novo dia, para uma nova oportunidade. Com nossa primeira inspiração e nosso primeiro pensamento, definimos as energias para o dia inteiro. Podemos inspirar as amplas possibilidades de um dia cheio de milagres e sonhos realizados, ou podemos inspirar um dia exatamente igual ao de ontem, nada mais, nada menos.
O quantum da vida (o estado de vida que ainda não se formou) nos responde. Ele depende de nós para adquirir forma, qualquer forma (boa, má, feia, conforme o caso). Nós somos os filtros de café através do qual o novo dia tem que passar. Nós somos o rio que direciona as correntes das nossas vidas. Nós somos os produtores, atores e diretores da peça que chamamos de vida. Quando não gostamos do rumo que a peça está tomando, cabe a nós intervir energicamente e mudar a cena, a proposta e as frases ensaiadas da nossa vida.
Somos uma individualidade celestial, assim como um todo celestial. Cada um de nós tem livre arbítrio e livre escolha, entretanto nossas decisões e escolhas afetam os resultados e o fluxo de toda a Criação. Cada escolha, cada passo, cada pensamento que temos cria um efeito cascata, tocando todos e tudo em seu caminho. Egoisticamente pensamos que nossas decisões e escolhas não são da conta de ninguém, só da nossa. Mas cada um de nós é como um oceano que guarda vidas preciosas dentro de si. Se o oceano secar ou se agitar além do equilíbrio, tudo que ele toca será afetado. Observe as células e órgãos do seu corpo. Embora cada um seja uma unidade separada, todos formam também uma consciência conectada, dependendo uns dos outros para sobreviverem. Todos nós vivemos no corpo do Universo. Cada um é uma célula separada, mas todos fazem parte da Unidade Divina.
O Universo ultimamente tem criado um “Denominador Comum” entre as pessoas da Terra. Esta é uma tentativa de unir o que parece fraturado. Cada parte do mundo está vivenciando uma “Unidade” forçada, devido às situações e condições externas extremas que estão permeando e saturando tudo e todos. Estamos recebendo um sinal de alerta da Mãe Terra. Ela está gritando: “Mudem com facilidade ou mudem da maneira mais difícil. Isto depende de vocês, meus filhos!” Não só a Mãe Terra está nos dizendo isto, mas tudo o que considerávamos certo, seguro e verdadeiro, até este momento, também está nos dirigindo este sinal de alerta! Nossas vidas parecem não estar funcionando. Tentamos repará-las, mas os reparos não se mantêm nesta energia mais elevada.
Nossas estruturas biológicas (corpos) estão recebendo novas instruções celulares de Luz diariamente. Estamos mudando de dentro para fora. Nada vai deter nem desacelerar essa grande mudança, pois ela é o nosso destino. Quanto mais nos agarrarmos às antigas maneiras de agir, pensar e viver, mais desconfortáveis serão essas mudanças. Tudo que não seja para o bem maior vai desabar, por mais forte que você tente se agarrar a ele. Desapegue-se de quem ou o que você pensa que é e do que você pensa que quer, e receba aquilo que foi cultivado por Decreto Divino especialmente para você! – A experiência perfeita, o tempo perfeito, o tamanho perfeito. Esta é uma experiência planetária de corpo inteiro. Religião, credo, raça e cor não importam. Tudo está se deslocando para uma ordem superior, uma luz superior e uma frequência superior.
Aquele que você é recebeu a emancipação e está em vias de ser libertado. A borboleta não pode mais continuar dentro do casulo cósmico. Ela é destinada e programada para voar. Tudo isto é uma Dádiva do Universo, não um castigo. Focalize apenas a plenitude da sua vida, não o vazio. Tudo o que for para o seu bem maior e mais elevado não pode ser tirado de você. Apenas as energias e experiências de vibração inferior serão dissolvidas nesta nova luz.
Gillian MacBeth-Louthan

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Por que devemos ler Vidas Secas?



by Professor
Por Michel Aires de Souza
Vidas Secas Todos que leram o livro Vidas Secas de Graciliano Ramos devem ter percebido a grande dificuldade do personagem principal em pensar a si mesmo como sujeito. O livro conta a história de Fabiano e de sua família em uma Odisseia pelo sertão do nordeste, no período da seca.  Ele e sua esposa, Sinhá Vitória; seus dois filhos e a cadela Baleia viajavam embaixo de um sol escaldante, sempre buscando sobreviverem. A vida de Fabiano é de um retirante, onde não há relações duradouras, não há uma narrativa continua em sua existência, não há linearidade. Sua vida era tão árida como o meio ambiente a sua volta. A seca não era apenas a condição de seu meio, mas era de seu mundo interior, de sua vida. A carência e escassez do sertão estavam profundamente enraizadas em sua alma. Ele era como um daqueles mandacarus resistente à seca. Mesmo naquele mundo árido, a opressão e as relações de poder e de classe estavam presentes. Fabiano sempre era explorado e enganado, e sentia dificuldade em pensar essa exploração. Era desprovido de raciocínio e de reflexão.  Ele era desumanizado pela seca, pela miséria e pelas relações de poder dos proprietários da região. Como consequência disso, a linguagem de Fabiano era pobre, sua visão de mundo era limitada e fragmentada.  Naquele ambiente ele apenas sentia-se bem diante dos animais e confundia-se com eles.  Em uma passagem do livro isso é mostrado de forma contundente. “Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio. Às vezes, utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos – exclamações, onomatopeias. Na verdade falava pouco. Admira as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas.” (Vidas Secas – Graciliano Ramos)
         Fabiano não é apenas um personagem de Vidas Secas, ele também personifica a imagem de muitos indivíduos nos grandes centros urbanos.  Sua pobreza vocabular, a grande dificuldade em raciocinar, a incapacidade de compreender as forças que o dominam e determinam sua existência é característico de muitos brasileiros anônimos. Fabiano era desprovido de “linguagem”, por isso não conseguia pensar com autonomia, não conseguia perceber as forças que o subjulgavam, que o condenavam a uma vida de miséria. Em uma passagem, ele percebe que o patrão lhe enganara em seu salário. Sente-se injustiçado e impotente, pois não sabe fazer contas. Nesse sentido relaciona a linguagem a poderes mágicos, que só os homens “sabidos” podem ter.    A pobreza vocabular de Fabiano impedia-o de compreender sua exploração e miséria. Por esta razão, a linguagem é essencial na vida dos seres humanos. O homem sem linguagem torna-se um primitivo, torna-se um animal.  Fabiano era um primitivo, era um animal.  Ser desprovido dos benefícios da linguagem é parte da miséria humana e ajuda a perpetuá-la. A miséria nasce da “ignorância”.  O olho vê apenas o que está em seu campo visual, mas é a linguagem que abre as portas da percepção.  A linguagem revela, mostra o efêmero, o indizível, o oculto, o indelével. Ela capta o universal no particular, nesse sentido é libertadora. O grande filósofo Wittgenstein já dizia que “os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo”. Fabiano não tinha um mundo, vivia de forma inconsciente, não era capaz de refletir sobre suas circunstâncias. Vivia como um bicho. Sem linguagem não há reflexão.  Só podemos representar e compreender o mundo através da linguagem. Não há pensamento sem linguagem. Aquilo que está fora de minha linguagem, está fora de meu mundo.  “A linguagem é o espelho do mundo”. Por está razão, o conhecimento é o único caminho para a autonomia, a consciência crítica e a emancipação intelectual. Somente a educação pode por fim a miséria e a exploração.
           Fabiano ignorava o que realmente sentia, vivia de forma irrefletida, seu objetivo era apenas sobreviver ao flagelo da seca. Como ele, muitos brasileiros vivem de forma irrefletida, percebem o mundo como obstáculo à plena realização de sua individualidade, como obstáculos à expressão da sua subjetividade.  Ser como Fabiano é ser incapaz de dar sentido e significado a sua experiência social, é ser incapaz de pensar o mundo de uma maneira crítica e consciente.  Nossa existência e circunstâncias só podem ser compreendidas se tornamo-nos cônscios de nossa posição social na grande ordem do todo. Só podemos avaliar nossa experiência e nosso destino compreendendo as forças históricas e as relações de poder que nos determinam. Segundo Wright Mills os homens “raramente têm consciência da complexa ligação entre suas vidas e o curso da história mundial; por isso os homens comuns não sabem, quase sempre, o que essa ligação significa para os tipos de ser em que se estão transformando e para o tipo de evolução histórica de que podem participar. Não dispõem da qualidade intelectual básica para sentir o jogo que se processa entre os homens e a sociedade, a biografia e a história, o eu e o mundo. Não podem enfrentar suas preocupações pessoais de modo a controlar sempre as transformações estruturais que habitualmente estão atrás deles” (MILLS, 1969, p. 10).
         A história de Fabiano mostra-nos que nossa experiência e nosso destino não é conduzido pelo acaso, que nossos fracassos ou vitórias na vida dependem de forças que não temos controle. Que a vida particular de cada indivíduo está inextricavelmente ligado a seu meio e a sua sociedade. Que nossas ações não são independentes da ordem do todo. Que o nosso cotidiano e nossa vida são determinados por acontecimentos históricos diversos, mesmo que sejam distantes no tempo e no espaço.  Fabiano vive de uma geração a outra numa determinada sociedade, em um certo estágio das forças produtivas, subjugado por um mundo de carência, escassez e opressão.  Fabiano além de lutar com as forças da natureza, buscando sobreviver à seca, também era subjugado, em um estágio primitivo das forças produtivas, pelo patrão, pelo dono da venda, pelo soldado amarelo, pelo fiscal, como partes daquele mundo onde as relações de exploração capitalista eram ainda coloniais..
 BIBLIOGRAFIA
MILLS, Wright C. A imaginação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1969.
 RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. Rio de Janeiro: Record, 1938.
 WITTGENTEIN, L. Tratado lógico-Filosófico. Lisboa: Fundação Calouste Gulberkian, 1995.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Deixe a lágrima rolar

(Letícia Thompson)

choro
Quando sentir vontade de chorar, chore! Deixe a lágrima rolar! Qual adulto, idoso, criança, pode se gabar de não ter sentido um dia a necessidade de colo? Quem atira a primeira pedra? Por mais que sejamos fortes, não podemos fugir às tempestades da vida.
São as decepções, as perdas ou simplesmente nossas expectativas que não são correspondidas que nos fazem, independente da nossa idade ou situação, nos fazem sentir pequenos o bastante para desejarmos colo.
E nem sempre é fácil admitir isso. Homens não choram? Choram sim! Mulheres choram fácil demais? Elas se fazem duronas também. As crianças choram à toa. Todo mundo chora.
Pelo menos todo mundo precisa chorar nem que seja uma vez ou outra para aliviar a alma, para diminuir o peso do cansaço e da solidão. O choro é sempre um sinal de apelo. E um sinal que sempre encontra um bom samaritano no seu caminho. Difícil resistir a alguém que chora!
É quando olhamos para alguém que vemos os olhos marejados… que sentimos que esse alguém precisa de colo; nem sempre de palavras, mas colo, sempre. Colo que pode representar um abraço mudo e apertado, um olhar compreensivo, um aperto de mão… nada toca mais nossa alma do que olhar nos olhos de alguém que chora.
E nada toca tanto alguém que chora quanto sentir a presença de alguém que o compreende. E nas lágrimas que rolam, rola a tristeza, a insatisfação, o tédio, a dor, as dúvidas e medos.
A alma fica lavada. Por isso chorar alivia. Por isso chorar dá sono. Quando acordamos depois de termos chorado, nos sentimos mais leves, nos sentimos prontos para encarar um novo dia, uma nova situação.
Então… quando sentir vontade, não se contenha! Peça colo, peça ombro… Deixe a lágrima rolar! Ser forte não é ser durão durona!
Ser forte é ser capaz de se reconhecer frágil e saber que dará a volta por cima! Ser forte é saber que as marés podem ser altas ou baixas, mas que apesar de tudo as ondas nunca desistem do sonho de beijar a areia. E elas beijam sempre…

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Vida é pior que ‘Game of Thrones’: não sobra ninguém

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Gregorio Duvivier, na Folha de S.Paulo
Uma mulher é assassinada no Baixo Gávea ao meio-dia. Um avião é derrubado e mata 300 pessoas. Morre João Ubaldo Ribeiro. Israel invade a Faixa de Gaza.
A morte dos outros é um spoiler. Parece te revelar algo que você não sabia, ou fingia não saber sobre você mesmo: você vai morrer. Olhe à sua volta. Todo o mundo vai morrer. A vida é pior que “Game of Thrones”. Não sobra nem o anão.
A vida só é possível enquanto a gente esquece que a morte está à espreita. Os jornais, como a revista “Minha Novela”, contam o que a gente não quer saber. “Olha a morte ali, te esperando. Nada disso faz sentido. Nunca fez.”
Há quem busque um sentido na religião, que jura que o melhor está por vir. O padre dá ao beato o mesmo conselho que um fã de “Breaking Bad” dá àquele que está começando a série: só vai ficar bom mesmo lá na última temporada. Mas não pode pular nenhum capítulo. Você vai ser recompensado. Confia em mim.
O que vale para “Breaking Bad” não vale para a vida. O câncer não regride quando você começa a vender droga —infelizmente. A vida está mais pra “Lost”. A cada episódio que passa surgem novos mistérios. Prometem que no final tudo vai se esclarecer mas tudo acaba de repente, com todo o mundo se abraçando. Só te resta a perplexidade: mas e aquele pé gigantesco? E aqueles números malditos? E aquele moço que usa lápis no olho e não envelhece? E o Rodrigo Santoro? Esquece. A vida vai morrer na praia.
O que entendi é que é melhor desistir de entender. O roteirista da vida é preguiçosíssimo. Personagens queridos somem do nada. Personagens chatíssimos duram pra sempre. Tem episódios inteiros de pura encheção de linguiça e, de repente, tudo o que deveria ter acontecido numa temporada inteira acontece num dia só. As coincidências não são críveis -e numerosas demais. A vida é inverossímil.
Aí você me pergunta: vale a pena ver um seriado tão longo que pode ser interrompido a qualquer momento sem que te expliquem p*%#@ nenhuma?
Talvez valha, como “Seinfeld”, pelas tardes com os amigos tomando café e falando merda. Ou, como “Girls”, pelas cenas de sexo. E pela nudez. Talvez valha, como “Chaves”, pra rir das mesmas piadas e chorar quando você menos espera. E vale pelos churros. E pelos sanduíches de presunto.
E vale, de qualquer maneira, porque a vida, chata, óbvia ou repetitiva, é só o que está passando.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Imagina na eleição (Dora Kramer)


O cenário não é desejável, mas nem de longe pode ser deixado de lado. A hipótese de que a atmosfera de violência venha a contaminar o ambiente durante o auge das campanhas eleitorais país afora está no horizonte. E bem próximo. 

É evidente que o clima de furor urbano extrapola a insatisfação com os gastos da Copa do Mundo. Não é crível que os saques, as greves de policiais, as depredações, os linchamentos, os incêndios, a ultrapassagem de todos os limites, o desrespeito generalizado tenha relação exclusiva com o Mundial de futebol. O ódio está no ar. E não vai passar. Durante o mês de campeonato, asseguram as autoridades, a balbúrdia cotidiana será contida mediante a ocupação de território pelas forças de segurança. E deve ser isso mesmo. Forçosamente alguma paz de fato estará garantida. 

Pois bem, e depois? Depois as campanhas eleitorais estarão efetiva e legalmente nas ruas, mas nada autoriza a crença de que a calma reinará. Não que a pasmaceira dos últimos tempos pré-junho de 2013 seja o ideal. Aquela indiferença, aquela apatia diante de determinadas barbaridades realmente uma hora tinha de acabar. Nota-se nitidamente neste ano eleitoral um interesse muito maior pela política. Em toda parte as pessoas comentam o assunto, até para desqualificá-lo. Essa parte, o debate é extremamente salutar. 

O problema é o ambiente de intolerância geral, com tendência à delinquência. Se, como se alega, a Copa foi uma oportunidade para as cobranças virem à tona e degenerarem para situações de completo caos, não parece que seja um exercício de pessimismo à deriva supor com grande chance de acerto que a proximidade das eleições seja vista da mesma forma. 

Com agravantes: oportunismo de corporações irresponsáveis, conflitos entre militantes partidários cuja virulência na internet é algo assustador, incitação de grupos políticos interessados em criar dificuldades para adversários que estejam no poder (federal, estaduais ou municipais) ou em imputar-lhes falsas acusações. O terreno é fértil para exageros inadmissíveis. 

Caso as altas autoridades ainda não tenham se dado conta, quem está na labuta do dia a dia trabalhando direto com isso percebe perfeitamente bem do que se trata. Na terça-feira, durante a greve-surpresa de ônibus – muito bem qualificada pelo prefeito Fernando Haddad como “sabotagem” (é esse o nome) – uma senhora perguntou a um policial o que estava acontecendo. Resposta: “Protesto, o que vai acontecer até o dia 5 de outubro”. 

Se houver protesto, manifestações, reclamos, cobranças, tanto melhor. É do jogo. Anarquia, destruição, selvageria, devastação são outras de natureza muito diferente. Portanto, péssimo. Ainda mais que estaremos vivendo um dos momentos (não o único) mais nobres da democracia: a escolha dos governantes. Por democracia entenda-se regime de legitimidade das leis, o que é autoexplicativo em termos de potencial de prejuízo para o próprio processo, em caso de descontrole. 

Tanto o poder público constituído quanto os candidatos de oposição a ele – em todos os níveis – têm uma responsabilidade que ainda não se vê expressa nas agendas dos que disputarão as eleições. Fácil, a tarefa não é. 

Fazer o quê, reprimir? Ninguém quer. É complicado até mesmo defender a tese, dado que além de todos desejarem o voto dos manifestantes, os brutos também votam. 

Dose tripla 

Em fevereiro de 2012, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, perguntou ao ministro inglês que coordenava os trabalhos da Olimpíada de Londres quais eram as três preocupações que ele deveria ter em relação aos jogos de 2016, no Rio. “COI, COI, COI”, respondeu o colega, referindo-se ao Comitê Olímpico Internacional, a Fifa da Olimpíada. 

Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?id=1470570&tit=Imagina-na-eleicao 

Acesso em 22/05/2014 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Suíços rejeitam salário mínimo mais alto do mundo




People hold up their voting cards during the annual Landsgemeinde meeting in Glarus






Publicado no Brasil Post
Os eleitores suíços rejeitaram esmagadoramente uma iniciativa que teria introduzido o maior salário mínimo do mundo. Cerca de 77% se opuseram, neste domingo, à iniciativa do Salário Mínimo, de acordo com os primeiros resultados de 26 cantões do país, informou a televisão suíça.
A legislação teria estabelecido um salário mínimo por hora de 22 francos suíços (US$ 25, ou 55 reais) por hora. No Brasil, o salário mínimo é de R$ 3,29 a hora, ou R$ 724 por mês.
Debate

Apoiadores do salário mínimo suíço citam o custo exorbitante de vida no país mais caro do mundo, principalmente em cidades grandes como Zurique e Genebra.
Os sindicatos estavam indignados porque a Suíça, um dos países mais ricos do mundo, não tem um salário mínimo determinado enquanto os vizinhos França e Alemanha têm – o salário mínimo na Alemanha será de 8,5 euros a hora a partir de 2017. Eles dizem que é impossível sobreviver com menos de 4.000 francos por mês por causa dos altos custos dos planos de saúde e da alimentação, segundo a BBC.
No entanto, autoridades do governo e corporações dizem que a proposta vai aumentar a taxa de desemprego no país, que é baixa: apenas 3,2%. Donos de pequenas empresas, principalmente fazendeiros, estavam preocupados que o salário mínimo poderia prejudicar a venda de seus produtos no mercado. A maioria dos suíços que recebem salários baixos trabalham no setor de serviços, em hotéis e restaurantes, e a maioria deles são mulheres.
A posição do eleitorado suíço mostra um distanciamento da tendência às leis trabalhistas de compensação. No ano passado , os eleitores apoiaram uma proposta dando a acionistas de companhias de capital aberto maior poder sobre os salários dos executivos. Uma votação subsequente, que objetivava limitar os salários de executivos mais bem pagos a 12 vezes o valor salarial mais baixo das empresas, foi rejeitada.

Educação e Neoliberalismo: a transformação dos indivíduos em mercadoria.



Por Michel Aires de Souza
micA educação perdeu sua função de produzir indivíduos autônomos, críticos e conscientes, que pudessem transformar a sociedade, a cultura e a si mesmos.   A escola de hoje procura acomodar os indivíduos ao mundo existente e não produz mais o espírito crítico, que dúvida, investiga, cria e produz.   Com o neoliberalismo a educação tornou-se um instrumento para se produzir mercadorias. As novas exigências no mundo do trabalho demandam um indivíduo que invista nele mesmo, que seja polivalente, multifuncional, flexível, competente. Desse ponto de vista, o indivíduo surge para a educação como um ser genérico, um ser anônimo que só pode ser construído como objeto, ou seja, como mercadoria.
        Com o fim do Estado de bem-estar social (Walfare States) e o desenvolvimento do Estado Neoliberal, grosso modo, diminui-se o papel do Estado na economia e reduziram-se o investimento e alcance das políticas públicas. A partir daí o trabalhador foi abandonado ao mercado, se viu inserido em um novo mundo globalizado. Nessas condições teve que encarar sozinho o desemprego, o subemprego, a exigência de muitas qualificações e a grande concorrência do mercado de trabalho. Ele passou a depender de si para se qualificar, adquirir competências, adquirir conhecimento e conhecer as novas tecnologias da informação.  Hoje, na maioria dos países, tornou-se difícil manter-se empregado num ambiente em permanente transformação. A crise na Europa demonstra isso. Há países onde a taxa de desemprego é de 25% da população ativa.  Com o Estado mínimo os indivíduos foram abandonados a sua própria sorte. A responsabilidade pelo “ganha pão” e pela qualificação profissional não é mais responsabilidade do Estado.  Hoje o mundo globalizado espera que os indivíduos se virem sozinho, sem as antigas proteções sociais. Isso significa que todos devem se esforçar e adquirir múltiplas competências e habilidade para não ficarem desempregados.
             A educação, por sua vez, que sempre foi entendida como instrumento de humanização, tornou-se em nossa época um instrumento de reificação.   Os conhecimentos e os bens culturais transformaram-se em mercadorias do desejo, transcendem o mundo dos fatos, ganhando significados de tal forma que não consumimos mais saber, mas consumimos signos de prestígio.  A cultura produzida e disseminada pela educação são mercadorias que agregam valor à subjetividade dos indivíduos.  A formação educacional torna-se atraente na medida em que cria símbolos de poder, status e pertencimento. Os indivíduos buscam conhecimentos para se venderem como objetos no mercado de trabalho. Eles buscam ser significantes, vendem sua imagem e procuram se tornar atrativos como mercadorias.
         No mundo neoliberal os conhecimentos aprendidos nos estabelecimentos de ensino tornam-se bens simbólicos. Buscar novas qualidades e competências, agregar valor à profissão, falar inglês, francês, fazer várias faculdades, adquirir títulos, conhecer arte e informática são o apanágio de um mundo que mercantilizou o indivíduo.Nesta sociedade os indivíduos devem obter cursos ou serviços para que se tornem cada vez melhores como mercadorias. Eles devem se equipar com um ou outro produto fornecido pelo mercado se quiserem ter a capacidade de alcançar e manter seu trabalho ou posição social. Para Bauman (2008) o ser humano rejeita sua própria incompletude e procura superar essa solidão de ser invisível num mar de mercadorias. “Os membros da sociedade de consumidores são eles próprios mercadorias de consumo, e é a qualidade de ser uma mercadoria de consumo que os torna membros autênticos dessa sociedade” (BAUMAN, 2008, p.76).
       A moda, as roupas, os produtos cosméticos, os produtos de beleza, os produtos de consumo, de modo geral, também agregam valor à autoimagem. Somos aquilo que consumimos.  Cada um busca no mercado os produtos que melhor se adaptam à sua personalidade. Zygmunt Bauman em seu livro “Vida para o Consumo” (Consuming Life) mostra-nos que, “na sociedade do consumo, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria, e ninguém pode manter segura sua subjetividade sem reanimar, ressuscitar e recarregar de maneira perpétua as capacidades esperadas e exigidas de uma mercadoria vendável” (BAUMAN, 2008, p. 20).
            A ditadura da beleza, o culto ao corpo belo e saudável, as plásticas, a moda, as propagandas que incentivam a autossuperação, o esforço, o autosacrifício são signos que refletem as novas condições materiais de existência do mundo neoliberal. O indivíduo deve se adaptar a essa nova realidade onde tudo é moda e é consumido como moda, inclusive os indivíduos. Lipovetskky denominou-o de mundo do efêmero, o reino da frivolidade, das novidades e da fantasia.
          Com o neoliberalismo a busca desenfreada pelo dinheiro, a competição, o consumo compulsivo, a busca de reconhecimento simbólico, a labuta do dia-a-dia não permitem ao homem determinar sua própria vida como projeto, como determinação consciente.  Vivemos no mundo do “curto-prazo”, não há mais “longo-prazo”.  Segundo Sennet (2009) o capitalismo afetaria o caráter pessoal dos indivíduos, uma vez que não oferece condições para a construção de uma narrativa linear da vida sustentada na experiência. Para o trabalhador, no mundo globalizado, as relações de trabalho e os laços de afinidade não se processariam em longo prazo,  mas a curto prazo. Por estas razões as relações humanas se tornaram efêmeras e reificadas.
         Com o advento do neoliberalismo os homens se tornaram  seres genéricos, anônimos e só podem se constituir como sujeito na medida em que se tornem mercadorias.  O que se tornou relevante em nossa época é a luta simbólica por reconhecimento social. Hoje o status social está mais ligado à ocupação, depende do esforço de cada um.  Os indivíduos devem adquirir conhecimentos, saberes, competências, habilidades e um conjunto de referenciais culturais, teóricos e linguísticos para fins de diferenciação simbólica, tornando-se sujeitos reconhecidos pelo mercado.  Vivemos numa sociedade que valoriza o desempenho, o esforço pessoal, o sacrifício e a labuta. A vontade de vencer, a ambição tornaram-se características de um mundo que reificou e mercantilizou o indivíduo.  A liberdade e a autonomia tornam-se ficções da consciência naturalizada pelas formas de domínio social prevalecentes. A existência surge como consequência de relações de força, de poder, surge determinada pela a mão invisível do mercado e das instituições.
       Como podemos notar, a mercantilização do indivíduo pela educação é uma característica do mundo neoliberal e somente surgiu impulsionada pelas novas exigências do mercado de trabalho. Ela não existiu em períodos anteriores, porque nunca se valorizou tanto a subjetividade no mercado de trabalho como hoje.   Com o advento das novas tecnologias e da informação, os indivíduos tiveram que agregar novos conhecimentos a sua formação. Eles foram obrigados a educar a si mesmos.  Com a maior complexidade dos processos de trabalho, os indivíduos tiveram que se tornarem mais criativos, inteligentes e críticos. Eles adquiriram conhecimentos, competências e habilidades diversificadas.
            Nunca na história da civilização a educação compreendeu o indivíduo como uma mercadoria, muito pelo contrário, a educação sempre fora um meio para desenvolver o livre pensamento, a autonomia e o espírito crítico.    Com a institucionalização do ensino no inicio do século XIX, a educação tornou-se obrigatória e sancionada por leis, tendo por objetivo consolidar a sociedade democrática burguesa. O grande objetivo era universalizar o ensino e  fomentar  o esclarecimento, superando a ignorância e a opressão do Antigo Regime.  A educação estava voltada à transmissão dos conhecimentos adquiridos pela humanidade e  deveria aperfeiçoar o ser humano em toda a sua plenitude. É o que se denominou de pedagogia tradicional.  A escola tinha por objetivo possibilitar a cada um aperfeiçoar sua indústria, ter consciência de seus direitos e deveres, assegurar seu bem-estar e poder participar ativamente da sociedade.
          No Brasil o ensino tradicional foi característico da época da monarquia constitucional e da velha Republica oligárquica. A educação era fortemente influenciada pelos valores positivistas. O currículo valorizava o estudos das ciências, tal como  classificara August Comte. O ensino  era um privilégio de poucos.  Os filhos de fazendeiros e dos comerciantes urbanos foram os mais privilegiados. A elite via na educação um modo de ascensão social. O grande objetivo da escola neste momento histórico era preencher os quadros da política e da administração pública.
       Já na segunda metade do século XX o Brasil começou um período de grande industrialização e urbanização e de grandes mudanças sociais, onde a burguesia comercial e industrial começou a ter enorme influência no poder. O que essa burguesia almejava era criar mão de obra especializada para as grandes indústrias. Esse desejo se concretizou efetivamente durante o período militar (1964-1985). O Estado começo a valorizar uma formação profissionalizante e tecnicista.  Buscava-se adequar a educação as mudanças dos últimos anos, que tornaram o país mais industrial e tecnológico. A educação visava criar indivíduos qualificados para o trabalho. Nessa época o espírito reflexivo, autônomo e crítico foi  banido das escolas. A educação passou a valorizar o behaviorismo, uma vez que o ensino deveria ser um instrumento de condicionamento buscando reforçar o estímulo-resposta, adaptando os indivíduos aos novos processos de trabalho.
        Como podemos notar a educação nunca foi um instrumento de mercantilização, foi somente na década de 90,  que começou a se valorizar a subjetividade do trabalhador, a partir disso,  os indivíduos se tornaram as peças centrais no mercado de trabalho.  Com as novas tecnologias, com as exigências de maior inteligência e criatividade no ambiente de trabalho, os trabalhadores começaram a ser importantes e essenciais para maior competitividade das empresas. A partir disso, a educação tornou-se um instrumento de diferenciação simbólica. A busca pela formação de qualidade tornou-se essencial para os indivíduos conseguirem um lugar de destaque no mercado de trabalho.
        Como podemos notar o neoliberalismo tornou a educação um instrumento de produção de mercadorias. O que as instituições de ensino valorizam e tornam sua ideologia é a competição, o mérito e o esforço individual.  O que experimentamos hoje é a comoditização dos indivíduos. Cada um deve procurar ser melhor como pode.  Cada um deve buscar na educação as competências e qualificações necessárias para se inserir no mercado de trabalho. As diferenças entre os indivíduos são determinadas pela posição que ocupam. Hoje existe uma luta acirrada pela ocupação social. Algumas funções conferem prestígio, dinheiro, fama, glória e poder. Isso significa que cada um deve adquirir por meio da educação as competências, comportamentos,  recursos, valores que são necessários a determinada posição social. Os indivíduos se esforçam para serem competentes, e somente a educação pode fornecer os recursos necessários para isso.
         Como consequência do neoliberalismo, a educação perdeu sua função primordial, que era educar para a autonomia intelectual, para o esclarecimento e para a participação política. O indivíduo perdeu a capacidade de reflexão e julgamento da realidade, perdeu a capacidade de avaliar e interpretar sua existência e viver de forma autônoma. O “projeto da Modernidade” identificado por Jurgen Habermas como um conjunto de tendências defendidas pelos pensadores iluministas  pregava a crença no desenvolvimento da ciência, a moralidade na condução da vida, o universalismo da razão, a busca de novas formas de organização social e a autonomia da arte. O objetivo era usar o progresso e o acúmulo de conhecimentos da humanidade de forma livre, criativa e autônoma  para a emancipação e para  enriquecimento dos seres humanos. A ideia de uma educação  emancipatória e humanista deveria retomar esse projeto.
       A experiência tem demonstrado que os países que conseguiram resolver as desigualdades educacionais também conseguiram resolver as desigualdades socias e tornaram-se mais democráticos. A educação produz autonomia de pensamento e, em conseqüência disso, produz a opinião, o livre julgamento e a participação política, que são os fundamentos da democracia.  Na sociedade democrática supõe-se como John Locke que a consciência individual é a sede final do julgamento e, portanto, o último tribunal de apelação. A educação reforça essa consciência e o livre pensamento. O indivíduo abandona sua minoridade e torna-se capaz de fazer uso do seu entendimento sem a direção de outrem.  É só por meio da informação e aprendizagem que surge o esclarecimento e este só se efetiva se o indivíduo tiver a liberdade de fazer uso público de sua razão. Esse deve ser objetivo da educação.
  Bibliografia
  BAUMAN, Zygmunt, Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de janeiro: Zahar, 2008.
 LIPOVETSKY, Guilles. O Império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
 SENNET, Richard. A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 2009.

sábado, 17 de maio de 2014

Humano, Demasiado Humano


Descoberto planeta de diamante na constelação de Câncer





Cientistas da Universidade Yale, nos EUA, descobriram na constelação de Câncer, a aproximadamente de 40 anos-luz da Terra, um planeta cuja superfície é composta de grafite e de diamante. Foi chamado de planeta 55 Cancri. É popularmente chamado de planeta de diamante.


Segundo os cientistas, pelo menos um terço da massa desse planeta, que é duas vezes maior e oito vezes mais denso que a Terra, é de diamante, quantidade equivalente a três vezes a massa do nosso planeta.


Porque 55 Cancri está proporcionalmente bem mais próximo de seu sol do que a Terra do Sol, esse planeta tem um órbita planetária de apenas 18 horas, bem curta se comparado aos 365 dias da orbita da Terra. Ao todo, o sistema estelar de 55 Cancri tem cinco planetas.


Os cientistas acreditam que a camada de diamante do 55 Cancri formou-se porque, durante a formação desse planeta, havia muito mais carbono disponível – que é a base do diamante – do que oxigênio, além de uma quantidade significativa de água em forma de gelo.


A temperatura média na superfície do planeta é de aproximadamente 2.000º C e, por isso, não é possível a existência de água e de qualquer forma de vida como a humana em 55 Cancri.


Diante disso, devemos valorizar e cuidar de nossas águas e do nosso oxigênio muito mais que de diamantes, pois é isso que permite vida em nosso planeta.

terça-feira, 13 de maio de 2014

O que é o Casamento?

Muitos casais de namorados já tiveram suas vidas mudadas pelo relacionamento que possuem juntos. Maturidade nas relações sociais, novos projetos pessoais e foco na vida profissional. Isso significa que o relacionamento está ficando sério e que talvez seja hora de dar um passo a mais: o Casamento.


Mas será que o casamento é algo fácil de ser conduzido? A resposta é não. Quando duas pessoas diferentes (talvez extremamente opostas) decidem viver juntas e dividir uma vida inteira, algo estranho acontece na vida desses aventureiros do amor. É um fenômeno chamado Alteridade! Alteridade é ser capaz de apreender  o outro na plenitude de sua dignidade, dos seus direitos e de sua diferença. Alteridade é respeito ao outro pelo que ele é de verdade. Todo casamento maduro precisa de alteridade e maturidade emocional.

A nossa tendência é colonizar o outro, ou seja, torná-lo minha propriedade. Temos uma vontade imensa de influenciar as decisões do outro e de torná-lo nossa imagem e semelhança. Isso mata qualquer relacionamento.

Casar exige que respeitemos o diferença que o outro possui em relação a nós mesmos. Todos somos um universo de possibilidades. A minha vida e as minhas experiências podem ser partilhadas com os outros mas jamais impostas ao outro como sendo a vida ideal.

A história de cada um precisa ser respeitada. Casamento é respeito, é dedicação e é aceitação do outro como ele é. Ninguém casa por ódio, mas sim por amor. Então o casamento é um troca entre duas pessoas que se amam.

Se você for capaz de aceitar as pessoas como elas são, então você pode se casar e ser feliz!

Pense nisso!
Sucesso sempre!

Yuri
Consultor Matrimonial

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Carta do imperador Vespasiano a seu filho Tito

Essa é a carta do imperador Vespasiano a seu filho Tito, datada de 22 de junho do ano 79 depois de Cristo – ou seja, há 1935 anos. Os termos em latim foram traduzidos entre parênteses.


pao e circo


“Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas. De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pare a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória.
Alguns senadores o criticam, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis (nádegas): numa privada, num banco de escola ou num estádio? Num estádio, é claro.
Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma por omnia saecula saeculorum (um século de séculos), e sempre que o olharem dirão: ‘Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou’.
Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão.
Moralistas e loucos dirão que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas. Vel caeco appareat (Até um cego vê isso). Portanto deves construir esse estádio em Roma.
Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: `Ad captandum vulgus, panem et circenses´ (Para seduzir o povo: pão e circo).
Esperarei por ti ao lado de Júpiter.”

colie

Vespasiano morreu no dia seguinte à carta. Tito inaugurou o Coliseu, com 100 dias de festa. Tanto o pai quanto o filho foram deificados pelo senado romano.


estadio


Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Tenha coragem de ser Bom



A filosofia dos bares é a filosofia do efêmero. Ir ao bar é ir a outro universo, livre de problemas sociais, pessoais e principalmente espirituais. Sentar e conversar com os amigos em um barzinho representa, para muitos, a única forma de lazer e de entretenimento eficaz perante uma vida vazia e sem sentido. O problema é que o escapismo dos barzinhos tende a se tornar perene quando o indivíduo não interrompe o processo de embriaguez ao sair do bar.

A vida exige lucidez. Viver exige seriedade de sentidos. Não é possível a alguém levar uma vida de intoxicação e encontrar uma felicidade verdadeira. Ser feliz é ser honesto e verdadeiro. Ser feliz é saber amar, principalmente a Deus.

O Brasil, país complexo e cheio de idiossincrasias, está fadado a ser governado por uma geração de alcoólatras, adúlteros e mentirosos. Isso porque o poder tende a dilatar o ego das pessoas e a torná-las contaminadas pelo vírus da hipocrisia. 

Não podemos mais confiar nos médicos, simplesmente por terem um diploma de medicina. É preciso verificar seu caráter e competência. Ser policial não faz do homem um defensor pleno da justiça, mas o que demonstra isso são suas ações. Nem mesmo os sacerdotes e pastores que deveriam ser exemplo de conduta ética estão fora disso, pois estão se deixando contaminar pelo alcoolismo, pela luxúria e pela contaminação espiritual.

E as novelas? Essas são faculdades do curso superior da imbecilidade! Mães permitem que suas filhas vejam novelas e programas de baixo valor moral. Isso forma mentes doentias, mulheres carentes e sem estrutura psicológica e homens machistas e violentos. Temos hoje mulheres fracas, instáveis e que não conseguem diferenciar um homem bom de um canalha, porque estão mendigando carinho, seja ele qual for.
Temos também homens viciados em álcool e drogas, violentos, mentirosos e manipuladores. Todo homem machista se formou vendo TV? Claro que não. Toda mulher fraca ficou assim vendo novelas? Lógico que não. Mas precisamos reconhecer as causas ou algumas delas. E falar sobre isso já é um começo. Agora pensemos em outras causas para esses fatos.

Essa é uma realidade visível. Claro que há exceções! Sim, há!! Existem mulheres sábias, maduras e dignas e existem homens corretos, inteligentes e com sólidos valores morais. O problema é que a maioria dessas pessoas boas são covardes. Omitem-se de fazer algo pela sociedade e permanecem ocupados apenas com seus problemas materiais. Não fazem nada pelo bem comum. Quando isso ocorre, os maus tomam conta, porque a desinibição é um característica que é usada com competência por essas pessoas. A sociedade de hoje provoca isso: as mulheres não demonstram vergonha de andar nas ruas com shorts minúsculos, mas tem um enorme receio de falar de Deus para as pessoas ou de tentar sobressair pela prática do Bem. O Bem não dá audiência! O povo gosta é de tragédia, sexo ou baixaria!

Precisamos ter senso crítico diante do mundo. Se você pensar na "formação" que uma novela irá produzir na mente de seus filhos já é um começo. Mas se quiser assumir os riscos, o problema é seu. Toda ação produz reação em sentido contrário: Lei de Newton! Se você fizer o Bem, pensar o Bem e amar o Bem, acredito que algo de bom lhe será reservado. Agora se fizer o Mal e dele se aproximar, isso lhe será devolvido, mesmo que seja mediante a transformação de sua vida em um oceano de solidão espiritual.

Que me perdoem os bons, mas parece que a bondade é amiga da covardia ou irmã do comodismo! Existem muitos, diversos homens e mulheres bons e corajosos, claro! Mas podem haver muito mais! Precisamos erguer uma nação de devotos puros!

Não me lanço como candidato para Bom do Ano, mas apenas partilho com vocês uma conversa que tive comigo mesmo esses dias. Resolvi deixar de lado a covardia...Resolvi deixar a falsa alegria dos bares e emplacar uma alegria verdadeira, sólida e de Deus. Deus é a verdadeira alegria, não o álcool. Deus é a fortaleza e a coragem, não as drogas! 

Tenha coragem de ser diferente! Tenha coragem de ser Bom...

Certo dia, minha filha viu alguém bebendo cerveja e disse pra essa pessoa: "Meu pai é inteligente. Meu pai não bebe cerveja". Dei um sorriso e a beijei.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Simplicidade e introspecção

chandramukha swami*

Simplicidade e introspecção

 As atividades executadas nesse mundo colocam o indivíduo em contato com a roda de samsara, palavra sânscrita que se refere ao ciclo ininterrupto de nascimentos e mortes. Em outras palavras, sob o impulso das suas atividades piedosas ou impiedosas, ele ora sobe a um planeta material superior, ora desce a um planeta inferior, ora vem ao mundo numa família abastada, ora nasce numa família carente, ora possui um corpo saudável e vigoroso, ora se vê às voltas de enfermidades e moléstias. Seus prazeres e sofrimentos são de natureza tão efêmera que podem ser comparados às experiências de uma criança tola que se diverte num carrossel colorido.

Aquele que se deixa cativar pelo encanto da poderosa energia ilusória busca desesperadamente por uma posição segura e confortável e, como não se satisfaz com os recursos oferecidos por este planeta, se lança no espaço, em direção à Lua, Marte, Vênus, etc. Mas, será que existe algum planeta nesse mundo que seja imune às dores da velhice, da doença e da morte? A resposta dada pela Bhagavad-gita é que a verdadeira felicidade, segurança e conforto só serão encontrados além dos limites do Universo material, pois as dores supramencionadas estão em qualquer canto desse mundo. Ao entendermos isso entendemos também que a vida humana não se destina a desfrute sensorial temporário, mas à autorrealização espiritual. Empenhar-se, portanto, na autorrealização significa agir em harmonia com o princípio de “tirar o melhor proveito de um mau negócio”, significa aceitar tão somente as necessidades básicas da vida e não deixar que a energia humana seja desviada para outros propósitos. Significa não estar interessado em fomentar ou se envolver com coisas que serão esquecidas no decorrer do tempo e que, portanto, não são diferentes dos murmúrios das ondas do mar. Significa entender claramente que a meta deve ser restabelecer nossa relação com Deus, a qual foi interrompida quando nos lançamos na roda de samsara. Em suma, quem se empenha em autorrealização preza por vida simples e pensamento elevado, o que é muito diferente de uma vida animalesca, sem cultura, educação ou moralidade. Na verdade, num contexto de simplicidade e introspecção, a arte, a ciência, a filosofia e tudo mais são muito benvindos, caso se prestarem para estimular o reencontro com o divino. No passado, muitos dos verdadeiros artistas, cientistas e filósofos não viveram em construções palacianas, mas, mesmo em suas cabanas produziram imensos tesouros de sabedoria. Em outras palavras, quando em demasia, os confortos materiais podem ser prejudiciais para o progresso espiritual. A conclusão é que, através da simplificação da vida, cria-se uma condição muito auspiciosa onde há uma grande reserva de energia humana para ser utilizada na autorrealização espiritual. 


* Sannyasi da ISKCON (International society for Krishna Consciousness)

quarta-feira, 12 de março de 2014

Chegou o Goura Purnima - o ano novo Hare Krishna!


Chegou o Goura Purnima, o Ano Novo Hare Krishna! Para celebrar essa data especial, que marca o 528º aniversário de Sri Krishna Caitanya Mahaprabhu, última encarnação de Krishna a se manifestar neste planeta e maior propagador do cantar do Maha-mantra Hare Krishna, contamos com a presença de todos vocês! No próximo domingo, dia 16 de março, às 16 horas, no Templo Hare Krishna (Rua Ametista, 212, Prado – 3337-7645).

Na ocasião, contaremos ainda com a presença especial de Chandramukha Swami, mestre espiritual e um dos principais líderes da ISKCON. Na programação, teremos iniciações, mantra-yoga, abiseka (banho cerimonial das deidades), palestra sobre Sri Caitanya, um grande kirtan, com muita música e dança! Encerrando a programação, um super banquete, com mais de 100 preparações diferentes! 

Tudo, claro, gratuito!

Aqueles que quiserem levar preparações e/ou presentes para o aniversariante, por favor, entrem em contato conosco pelo telefone 31-3337-7645 ou bh.harekrishna@gmail.com. Esperamos por vocês para essa grande festa! Tragam a família e os amigos!

Hare Krishna!

Programação:
16h - Cerimônia de iniciação com Chandramukha Swami 
17h - Bhajan e Abiseka das deidades de Sri-Sri Goura-Nitai 
18h30 - Palestra sobre Sri Caitanya Mahaprabhu, com Chandramukha Swami 
19h30 - Kirtana 
20h15 - Jantar