Não. Hoje não queria chorar.
Queria entender. Entender porquê a gente sofre e chora e sorri e ama e fica
triste e come e dança e canta e dorme e sente saudade e no final a gente morre.
A gente morre mesmo? Acaba tudo? E os sonhos que lançamos no universo, não
valem mais?
Hoje não quero ficar triste;
quero saber. Não sei se saber me ajudará a compreender. O saber às vezes é
inútil, é vazio é falho. Queria te encontrar de novo e te abraçar. Porque você faz
falta. Porque você é o resumo de tudo que sou, que era e que queria ser.
Na rua, as pessoas estão andando,
paradas, sonhadas ou sonhantes e a vida, ah essa maldita vida que nos domina
finge ser inocente do mal que sofremos. Essa vida que nos sorri é a mesma que
nos controla, faz a gente chorar, faz a gente dançar... ôu vida que tanta coisa
nos guarda...???
Não sei dizer se foi hoje que
acordei e te quis aqui. Não sei se foi a vida que me soprou no ouvido o desejo
de te ver de novo; de te ter por perto. Não sei que mentiras essa vida lhe contou
a meu respeito: esse não sou eu; eu sou poeta, sou idiota, sou romântico, sou
palhaço, sou dançarino, sou cantor, sou um zé ninguém...
Amar você me faz bem. Amar porque
a vida não traz mais nada de bom que não seja te sentir. Ver seus cabelos, ver
sua boca, ver seus olhos e eles me olharem. Eu vejo você! Isso me basta!
Sentindo no peito um fogo me
gelando a alma e um medo terrível de que você tenha sumido e de que você nunca
mais volte. De que você nunca mais esteja comigo. De que você não me seja mais
perto; não esteja mais tão especial quanto sempre foi.
Vida, vida, vida! Por que me
trazes o amor se não me permites amar??!! Não quero um amor de saudade. Recuso
um amor de lembranças de coisas que nunca mais irão acontecer. Por que comigo??
Por que eu? Canta minha história aos santos e deixa eles me julgarem. Eu não
ligo. Todo julgamento é medo de abraçar.
Querem que eu não seja mais isto
que sou. Que eu não seja mais tão sorriso, tão abraço, tão doce acolhida, tão
velha amizade... Podem querer, mas eu não sou obrigado.
Sabe o que eu quero? De verdade. É
sentir você no meu colo, sentir teu calor de novo comigo e tua voz me dizendo o
que te faz feliz. Quero te beijar de novo, mesmo que não seja um beijo tão
demorado. Quero pegar sua mão e te levar para onde há verdade e para onde eu
possa ser verdade para você. Sem máscaras. Sem rodeios. Sem receios e sem
traumas.
Vem comigo mais uma vez! Não tenha
medo porque as lágrimas que caem do meu rosto não são de tristeza. Essas são as
lágrimas de quem se cansou da saudade e não sabe mais que palavras usar para
dizer sobre isso. Dizer sobre mim. Aliás, cansei de dizer de mim. Quero saber
só de você! Que sorriso você mais gosta de ter no rosto? Que calor te aquece
mais? Que sabor mais atinge sua alma? Que música você ouviria para dormir? Que música
ouviria para nunca mais ter que dormir? Que presença te agrada mais os cabelos?
Que mãos te levam a lugares mais livres? Que lábios te beijam melhor os pés? Que
“eu” faz “você” mais feliz?
Senta aqui comigo e não vai
embora nunca mais! Não vai porque só fica o vazio depois que você sai pela
porta. Fala do seu dia! Fala do seu cabelo! Fala da sua pele! Fala do seu
coração... e depois de falar, deixa que eu alegre seu dia, que toque sua pele,
que acaricie seus cabelos, que entre no seu coração...
Fala comigo, mas fala de verdade.
Não o que eu desejo ouvir, mas quem é você de verdade. Cansei de ser enganado. Prefiro
a dor que o engano. Prefiro a morte que mais tempo sem você aqui pertinho... Morte?
Quem já te chamou de irmã foi levado por seu abraço. Mas eu te chamo de amiga e
de inimiga. Amiga porque você me ensina que todo dia pode ser o último e
inimiga porque não me deixa esquecer que não fui o primeiro a partir.
Eis meu amor! Não é melhor que
qualquer um, mas é maior que qualquer outro!
Yuri Cruz
Yuri Cruz

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